"Por Deus, tenham um blog!" Papa Bento XVI


Coragem, Levanta-te! Jesus te Chama!


domingo, 18 de novembro de 2012

Dar ao Khrónos o Kayros


Dar ao Khrónos o Kayros.
Dar ao tempo cronológico o Tempo de Deus.
 
Na missão o Tempo é diferente do tempo.
Decidir algo depende do Tempo
Ao assumir uma responsabilidade nova é necessário ter Tempo para executá-la
Estar numa nova missão tem que dar Tempo ao tempo
O Tempo é importante para chegar ao tempo certo
O Tempo na missão não é cronológico
O que deixa muitos missionários perdidos no tempo.
Confia-se em Deus, tem-se fé, mas ainda há dificuldade de compreender que o tempo na missão é de Deus e não do relógio, nem do calendário.
Para Deus mil anos é como um dia e um dia como mil anos.(Sl 89)
Há missionários que ficam muitos anos em missão e tem a sensação de que “perdeu-se” muito tempo
Há missionários que em poucos dias “ganhou” muito tempo.
Na verdade, não houve perca nem ganho de tempo.
Na missão não há como medir o quanto se fez ou deixou de fazer com o tempo.
Qual é o tempo necessário para realização de uma missão?
Quem se preocupa com o quanto fez ou deixou de fazer na missão não está aproveitando o Tempo.
Determinar a sequência temporal dos acontecimentos é vaidade.
O Tempo na missão não é um tempo para fazer ou para não fazer.
O Tempo na missão é para ser, superando o utilitarismo e o ativismo.
O ser é presença em todo tempo
“Há tanto tempo estou contigo e não me conheces?” (Jo 14,9)
Dar Tempo ao tempo na missão é dar ao tempo cronológico o Tempo de Deus.
“Tudo tem seu tempo...” (Ecl.3) – Paradoxo - Não há tempo para tudo. Porque o tempo foge, Não poderei escutar todas as músicas que desejo, Não poderei ler todos os livros que desejo, Não poderei abraçar todas as pessoas que desejo...
Procurar qualidade no tempo, não quantidade de tempo. Assim, sempre há Tempo.
“As coisas de Deus são, como as ciências terrestres, aprofundadas aos poucos. O tempo, a reflexão, a experiência ensinam a desembaraçar a verdade dos meandros do erro.” (Pe. Júlio Maria)
Desejamos que Deus ilumine a nossa vida para que sabermos dar Tempo ao tempo e sermos uns bons missionários.
 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Superar paradigmas.

Itinerância como medicamento.

 

Eis que faço nova todas as coisas...

Crer, ousar e partir.

 

“Citumbo ka mbaci cinatu haze, muchima kucatwile.”

(“o remédio para a tartaruga atua por fora, não no interior”  – uma vez que se aplica na carapaça)

 

A cultura que nos educa também nos aprisiona, se torna uma carapaça que nos da segurança, nos faz amadurecer a personalidade e identidade, mas pode nos tornar pouco sensíveis, lentos como a tartaruga para penetrar em outras culturas, superar este paradigma exige dedicação e cor-agem.

Jesus de Nazaré é o nosso grande modelo de superação de paradigmas, pois viu com olhos novos, ajudou a muitos enxergar com olhos renovados “Senhor eu quero ver de novo...”

Crer em Deus é deixar-se transformar o coração de pedra em coração de carne, ter um espírito novo... (Ez 11,19; Sl 17, 10; Pr 26, 9; Mt 5,8; 6,21; Mc 16,14; 1Tm 1,5; 1Pd 5,2 ...) para podermos dizer como o salmista: “ Meu coração esta firme, ó Deus, meu coração esta firme” (Sl 57,8).

Crer no ensinamento de Jesus nos faz portanto ter também olhos novos, atitudes novas, paradigmas renováveis( cego de Jericó, João Batista, Nicodemos, Pedro, Tomé, Paulo...) .

Crer na capacidade do Pe. Júlio Maria de refazer paradigmas... deixar família e ir em missão para África, refazer opção de vida religiosa de irmão ao sacerdócio, adere a nova forma de acolher vocacionados na nascente congregação do missionários da Sagrada Família, deixa uma promissora atividade missionaria na Europa e se doa para missão Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil, enxerga necessidades do povo brasileiro funda congregações partindo de seu olhar sobre o coração de Maria e a Eucaristia... “Coração eucarístico de Jesus...”.

Crer na força espiritual herdada do Pe. Júlio Maria delegada a suas congregações nos torna Julimarianos.

Ousar sair da zona de conforto, para dar resposta ao amor universal no chamado de Jesus Cristo, nos torna testemunhas de superação de paradigmas... “Vinde e vede...” “Quem é o teu próximo?...vá e faça o mesmo...” “Quem comer minha carne e beber o meu sangue permanece em mim e eu nele...” ter o ousadia de chamar de Deus Pai quebra o maior de todos os paradigmas, o encontro encarnatório do divino e do humano... “e a Palavra se fez Carne e habitou no meio de nós.”

Partir é vivência, “Ide por todo mundo...” “Eis que deixamos tudo para te seguir...” sair de mala vazia ou só com a metade da mala se torna relativo quando o coração e a razão estão cheios do amor universal para doar a humanidade... “Padre Júlio Maria, tens um grande coração todo cheio de ardor. Tu viste pra doar tua vida em missão.”

Acolher novos paradigmas se torna um grande desafio, pois não se esquece da cultura, forma de pensar e se comunicar, a fragilidade humana, as seguranças (ideológicas, financeira, familiar, amizades...) o medo do novo, vai aumentando a dureza da nossa “carapaça” e a itinerância demora a penetrar em nosso interior.

Temos outros “medicamentos” que podem ajudar no processo de flexibilização de nossos paradigmas. “Na escola dos ‘pobres’ somos chamados a avaliar nossas atitudes missionarias (Dir. 28); “A ação evangelizadora supõe um grande amor aos destinatários da nossa missão, a atenção a seus clamores e carências, a alegria de lhes anunciar a Boa Nova e a necessidade de nos deixar também evangelizar por eles” (Const 79b). “ Com o espírito missionário do apóstolo Paulo, que se fez judeu com judeus, gentio com os gentios, fraco com os fracos, que se fez tudo para todos afim de ganhar o maior número (cf. 1 Cor 9, 19-23), empenhar-nos-emos em assumir os valores positivos da cultura dos destinatários de nossa missão e em buscar s linguagem adequada à sua condição, adaptando-a ao tempo, ao lugar e aos meios que usamos para evangelizar.” (Const. 82). “é nossa missão na Igreja, revelar aos homens as riquezas e as exigências do mistério eucarístico.” (Const. 77). “O missionário sacramentino é chamado a ter um coração do tamanho do mundo” (PGF). “Estamos no frescor de nossa história, desejosos de conquistar maior maturidade, acertar o rumo, ser resposta mais eficaz as necessidades de hoje. Precisamos alçar voos maiores, responder aos apelos, assumir a itinerância, pois a missão é urgente e não pode parar... Temos certeza que não nascemos para ficar fechados, presos em um estado, ou mesmo em um pais. Como consagrados, sabemos que nosso chão missionário é o mundo, devem fazer parte de nós a itinerância e a disponibilidade para estarmos onde muitos não querem estar, devemos ir onde mais precisam de nós” (PGC intro.)

A missão dos Sacramentinos em Nana Candundo se torna oportunidade para desenvolver novos paradigmas, ser hospede na casa do outro causa insegurança, mas é o caminho para deixar o medicamento superar a dureza de nossa “carapaça” e aos poucos “chowve chowve” (pouco a pouco) vamos nos abrindo a paradigmas diferentes de nosso ethos cultural. Necessitamos refazer nossa forma de pensar a evangelização, os nossos documentos congregacionais, as circulares, metas capitulares, economia, formação, a partilha solidária, nossa forma de rezar... até as férias... a carapaça é dura sim, mas quanto antes começarmos a ungir com o balsamo da itinerância tanto mais cedo teremos mais coragem de acolher novos paradigmas.

Jila yetu hamwe.

Kwendela hamu Munzhila.

Caminhamos juntos!

 

Pe. Renato, sdn – Kapilishito Kahilo, sdn – Mupadiri Kafunti, sdn

Pe. João, sdn – Kapilishito Yowano, sdn – Mupadiri Yowanu, sdn

 

Espiritualidade sacerdotal

PARE – OLHE – OUÇA

 

Entre os dias 16 a 19 de outubro estivemos reunidos em Lwena  na paróquia Nossa Senhora das Vitorias no bairro Sacalumbo, para o retiro anual do clero secular.

Oportunidade de aproximação e estreitar os laços de fraternidade com o presbitério de Lwena, o pregador padre Paulino Cambungo é redentorista, angolano e tem 63 anos de idade. Já foi provincial dos redentoristas em Angola e vice provincial, atua missionariamente em Menonge.

Refletimos sobre a espiritualidade sacerdotal , oportunidade para reafirmar e aprofundar nosso estilo e opção de vida numa sociedade marcada por muitos antivalores a Vida Consagrada.

A cultura vem como um comboio, assim os consagrados devem PARAR, OLHAR E OUVIR para não serem surpreendidos e colhidos por este trem que parece estar desgovernado ou sem rumo certo.

É nossa missão como consagrados é ajudar este comboio ter rumo certo, estar governável, mesmo sabendo que a cultura precisa de liberdade para se desenvolver. Para isto devemos cultivar nossa espiritualidade sustentando-a com aprofundamento da Palavra de Deus, o empenho na preparação das ações litúrgicas, no serviço pastoral a Igreja e ao povo de Deus.

Há momentos na vida do sacerdote que ditam como deve ser sua espiritualidade. Portanto cada consagrado deve estar atento a este crescimento espiritual a que todos se comprometeram nas promessas sacerdotais, além de buscar um constante equilíbrio afetivo, inserção cultural, capacitação intelectual...

Houve grande crescimento em nossa compreensão da realidade cultural, eclesial e da história angolana pelas partilhas dos padres da diocese e por parte do pregador. Oportunidade especial de parar, olhar e ouvir.

Neste segundo retiro fora do ambiente de fraternidade Sacramentina, sentimos falta da conversa de irmãos, a partilha da missão, as angústias de alguns e as alegria de outros. Mesmo distantes somos tocados pela comunhão que celebramos.

 

Caminhos juntos!

Pe. Renato Dutra Borges, sdn

Pe. João Lúcio Gomes Benfica, sdn


Coisa Nossa 186


segunda-feira, 8 de outubro de 2012


Bom Pastor, Semeador e Pescador

 

Há três situações que se dirige a atividade missionária da Igreja: povos, grupos humanos, contextos sócioculturais onde Cristo e seu Evangelho não são conhecidos; o cuidado pastoral, que se dirige às comunidades cristã já constituídas; e a nova evangelização, que tem como destinatários os cristãos culturais, batizados que perderam o sentido da fé e vivem uma vida distante da Igreja (RMi 33).

Segundo o biblista canadense Marc Girard, estas três situações encontram inspiração em três metáforas evangélicas: o cuidado pastoral na imagem do Bom Pastor; a nova evangelização na imagem do Semeador; a missão ad gentes na imagem do Pescador. São missões que dizem respeito a uma progressão de espaços: o curral, o campo, o alto mar. Quanto maior o âmbito, maior a insegurança e o desafio. A primeira imagem é marcada pela proximidade pastoral. A segunda, pela gratuidade da ação do semeador, que semeia, mas não tem nenhum controle sobre a semente e seu crescimento (Mc 4,2629). A terceira, pela pura fé do pescador em lançar a rede num ambiente totalmente estranho e hostil, sem nenhuma certeza de apanhar alguma coisa.

Hoje uma Igreja local não pode perder de vista nenhuma das três situações. No entanto ainda temos uma visão de missão muito presa à pastoral. Os nossos bons pastores não saem para semear, menos ainda sabem lidar com o mar e com peixe. Muito menos são formados para isso. É preciso, portanto, ajudálos a elaborar projetos missionários a partir de uma visão global de missão e com uma tensão fecunda entre os vários aspectos, significa: agir concretamente, participar ativamente, ajudar transformar a realidade concreta de pessoas, de grupos, de sociedades, anunciando a Boa Nova, antes de tudo pelo testemunho.

Missão é resgatar as sementes do Verbo em cada cultura, em cada época, revelado na cultura de solidariedade em vista da utopia de um novo céu e uma nova terra. Missão é coerência, é testemunho, é vida que se faz Vida, é consumir a vida no meio do povo, atuando na realidade, ensinando a fazer o mesmo que fez Jesus, na realidade convocada pela universalidade da missão. Missão não é só poesia, não é ilusão, não é fantasia, não é somente sonho. Missão é se envolver nas rudezas da realidade que anseia pelo dia da libertação. Missão é ato redentor! Missão é preferir sujar as botas, percorrendo as ruas poeirentas ou lamacentas para estar com o povo.


É o anseio por estabelecer uma nova ordem sempre presente em cada cultura, cada época; é "o sonho de todos viverem a vida em paz, sem posse e, por isso, sem ganância ou fome. Nada pelo qual matar ou morrer. Uma irmandade de homens, dividindo todo o mundo" (J. Lenon- Imagine).

A missão de Jesus recebida do Pai esteve sempre presente nos anseios mais recônditos de cada ser humano, apesar de, na maioria das vezes, ser abafada pela cultura de consumo e de morte. Como Jesus que veio realizar a missão recebida do Pai de anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a remissão aos presos e aos cegos, a recuperação da vista, para restituir a liberdade dos oprimidos (Lc 4, 18-19), pregar e expulsar os demônios (Mc 3,15); assim o missionário, a missionária, hoje, assumem a luta que Jesus iniciou, contra os poderes do mal que empobrecem a vida do povo.

Identificando-se com Jesus, o missionário é convidado a ser pobre (Lc 14,33). Sonhar com status, poder, prosperidade, salários, carro último ano, conforto e bem-estar que a religião do consumo prega, choca profundamente com a insistência de Jesus para um trabalho gratuito, despojado, apoiado na providência de Deus (Lc 9,1-5). Se olharmos um pouco a questão da proveniência de uma maioria de nós chamados à vida consagrada e presbiteral, não nos esquecendo de nossas raízes, deveríamos manter uma postura popular e simples, sem encontrar dificuldade na nossa inserção à realidade do povo, encarnando-nos na cultura nossa, que é a cultura deles (1Cor 1,26-31). O esvaziar-se como Jesus, que assumiu a nossa condição humana (Fil 2,7), é o processo pelo qual todo missionário deve passar. Fazendo-se pobre, ele é enviado aos empobrecidos. Somente fazendo a experiência de pobreza junto aos pobres, é que o missionário vai sentir a dureza da pobreza, fruto da injustiça, podendo receber a iluminação e a força necessária para uma caminhada libertadora (Ex 3, 7-10).

O missionário, a missionária, é alguém, portanto, que se converteu como Zaqueu (Lc 19,1-10). Zaqueu vê Jesus e se converte, muda de vida, aderindo às suas exigências. É como a Samaritana (Jo 4,5-52) que, no diálogo com Jesus pede a água viva, e é introduzida no mistério da missão do Mestre e, envolvida pelo Espírito de Jesus, sai correndo, deixa os seus cântaros e vai anunciar o Messias que ela acabou de encontrar. É ainda, como Maria Madalena (Jo 20,17) que viu Jesus, e sai correndo para anunciar aos discípulos a ressurreição do Senhor.

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Missão é coerência, é testemunho, é vida que se faz Vida, é consumir a vida no meio do povo, atuando na realidade, ensinando a fazer o mesmo que fez Jesus, na realidade convocada pela universalidade da missão. Missão não é só poesia, não é ilusão, não é fantasia, não é somente sonho. Missão é se envolver nas rudezas da realidade que anseia pelo dia da libertação. Missão é ato redentor! Missão é preferir sujar as botas, percorrendo as ruas poeirentas ou lamacentas para estar com o povo.

Jamais foi possível sintonizar simultaneamente com os quatro cantos do mundo e nos sentirmos tão próximos. Tudo o que acontece, ou se faz, torna-se notícia num segundo, visualizado em todos os continentes. O mundo dos sons, das imagens, aperfeiçoando a sua tecnologia, se multiplicou e as distâncias se encurtaram, ultrapassando quaisquer fronteiras; as possibilidades se multiplicaram para fazer as pessoas saírem do isolamento e obterem todas as informações possíveis e imagináveis, num segundo. Ao mesmo tempo, o desafio da distância entre os privilegiados que são poucos e os excluídos que são a maioria continua aumentando cada vez mais.

Vivemos a era planetária. A universalidade não é mais um problema. Vivemos dentro dela. As fronteiras que nos separavam pelo subdesenvolvimento foram vencidas pela tecnologia. O modelo tradicional foi superado e a metodologia de um trabalho corpo a corpo vem substituído pelo sistema imperceptível, que não ocupa espaço e nem tempo. É transmissão direta, simultânea de sons, imagens e mensagens.
 
Boa Missão!

 


Mês missionário


A paixão pela missão é o coração da Igreja.

 

Uma vez, ao chegar próximo de uma árvore frutífera, avistei uma única fruta, bem no alto do pé. Fiquei planejando como poderia colher aquela fruta. Se tentar derrubar com pedras quebrá-la-ia e a estragaria. Se derrubasse com uma vara comprida ela poderia ficar no interior da árvore, presa entre os espinhos. Se tentasse subir para apanhá-la, poderia então me machucar. Entendi que precisava planejar a melhor estratégia para poder usufruir do sabor da fruta sem danificá-la e também sem me machucar.

Muitas vezes a nossa vontade é de quando chega o mês missionário nos embrenhar na missão, pois esta é a nossa paixão, justamente porque a primeira impressão é do que o mundo precisa e é o coração da Igreja. Mas o mundo é igual a uma árvore, ao mesmo tempo em que tem frutos, tem também espinhos. Se nos embrenharmos com muita pressa para chegar ao fruto vamos sem dúvida nos machucar e machucar a outros e nem perto do fruto vamos chegar.

Este mês, deve ser motivador, não somente de ação, mas de reflexão. Pois, para sermos missionários não precisamos percorrer grandes distâncias. Ser missionário é fazer a difícil viagem de sair de si, e ir ao encontro do outro, do novo, do diferente como em busca da fruta saborosa. É preciso pensar, planejar, ver a maneira de agir sem que os frutos sejam estragados ou que sejamos machucados pelos espinhos. E isso exige de nós uma abertura pessoal e comunitária para responder aos desafios de ser missionário.

Assumir os desafios e o compromisso de ser missionário é ter a missão não somente de levar algo, mas também de descobrir. Não somente de dar, mas receber. Não somente conquistar, mas partilhar e buscar juntos sempre a verdade em Cristo através de nossos gestos, atitudes e atos. A missão nos permite criar novos laços, novas relações, um novo jeito de olhar a vida, um novo jeito de ser igreja. "Ao irem pelo mundo, não discutam, nem teimem com palavras, nem façam juízo de outrem, mas sejam mansos, pacíficos, modestos, afáveis e humildes, tratando a todos honestamente, como convém” (S. Francisco).

Jesus disse ao enviar os apóstolos para anunciar o ano da graça: “Eis que vos enviou como carneiros em meio a lobos vorazes” (Mt. 10,16). E, quando, mal recebidos em uma cidade, João e Tiago pretendiam mandar o fogo dos céus sobre aquele povo, mas Jesus os repreendeu “Não sabeis de que espírito sois. (Lc. 9,55).

A primeira atitude do missionário deve ser a mansidão. O anúncio da Boa Nova é um anúncio de paz. O texto do profeta Isaias lido por Jesus na sinagoga de Nazaré (Lc. 4,16-22) e a si próprio aplicado, diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, eis porque me ungiu e mandou-me evangelizar os pobres, sarar os de coração contrito, anunciar o ano da graça” (Is. 61, 1-4)

E, logo a seguir, no Sermão da Montanha, revirando todos os princípios e conceitos que o pecado instilara nos corações dos homens, da sociedade e da cultura, declara bem aventurados os mansos, os misericordiosos e os que promovem a paz (Mt. 5)

A violência e a agressividade afastam os corações. Não é a toa que Santa Terezinha foi declarada padroeira das missões, ela que jamais transpôs as grades de seu convento e, partindo deste mundo aos vinte quatro anos, podia prometer que dos céus enviaria uma chuva de rosas sobre a terra. São Francisco de Sales, igualmente ensinava que se apanham mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de vinagre.

Quanta paciência e compreensão mostraram os santos missionários de todos os tempos na inculturação da fé em corações duros e arraigados numa cultura pagã totalmente diversa dos caminhos cristãos. Davam tempo ao tempo, como o semeador aguarda com paciência o tempo da colheita.

O cristão que tem, pelo batismo, a vocação missionária, a missão de anunciar a Boa Nova, tem de ter, ele próprio, um coração semelhante ao de Cristo, manso e humilde, como se pede na jaculatória, “fazei nosso coração semelhante ao vosso”.

Paulo VI, na Evangelii nuntiandi exorta: “A obra da evangelização pressupõe um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles a quem ele (o missionário) evangeliza.” (nº 79) e cita São Paulo aos Tessalonicenses (2Ts. 8) como programa. Refere-se ainda, a outros sinais de afeição que o missionário tem de ter em relação ao evangelizando: o respeito pela situação religiosa e espiritual das pessoas a quem se evangeliza; a preocupação de se não ferir o outro, sobretudo se ele é débil em sua fé e um esforço para não transmitir dúvidas ou incertezas nascidas de uma erudição não assimiladas.

O missionário, ao levar a Boa Nova a um mundo angustiado e sem esperança ou cuja esperança se esgota com o último suspiro, não pode se apresentar triste e sem animo, impaciente ou ansioso, mas deve manifestar uma vida irradiante de fervor e da alegria de Cristo.

Nesse espírito o missionário, sem fraquejar sobre sua fé e sobre a mensagem, abra sua voz para “propor aos homens a verdade evangélica e a salvação em Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que a consciência dos ouvintes fará” (E.N 80). Lembre-se não se abre uma rosa apertando-se o botão”.

Para reflexão e partilhaComo minha atitude missionária pode ser melhorada? Por que?

 


segunda-feira, 5 de março de 2012

Sintese sobre INCULTURAÇÃO

INCULTURAÇÃO DO CARISMA? (Pe. Marcos de Lima, SDB)





Inculturação – Processo ativo pelo qual o Evangelho gradualmente se insere numa cultura.

Inculturação d evangelho – prioridade do evangelho, primazia indiscutível. Consequências necessárias, IGREJA INCULTURADA,

VIDA RELIGIOSA INCULTURADA,

CARISMA FUNDACIONAL DE CADA INSTITUTO TAMBEM INCULTURADO.



Na cultura esta em jogo a REALIZAÇÃO da pessoa e, pela realização da pessoa, a HUMANIZAÇÃO do mundo. Daí, a atual atitude da Igreja no sentido antropológico de cultura, campo especifico, portanto de sua evangelização. A Igreja tomou consciência da tremenda evolução cultural e de sua incidência no processo de humanização da pessoa. Hoje, é do seu programa, respeitar a pessoa indo ao seu encontro na sua cultura.

A cultura não é monolítica e uniforme, nem uma realidade fixa, ou uma grandeza fechada e intocável. Não. Ela evolui e se transforma seja pelo desenvolvimento de elementos próprios, seja por força de intercâmbios com outras culturas. Considerá-la, portanto, sempre, no que foi, no que é e naquele que poderá vir a ser.

O Evangelho vai em frente no ritmo das pessoas e no seu contexto concreto. Deus é onipotente. Pode impregnar as estruturas, as pessoas e as culturas, com os valores do evangelho. Mas não é prepotente. Não as violenta. Tem pleno respeito pela nossa liberdade e identidade. A enculturação pressupõe educação e comunicação e, portanto, atenção e adequação ao interlocutor, seu nível de apreensão e capacidade de assimilação. Gratuidade, tempo para maturação a exigir um processo pedagógico e metodológico.

Sendo assim, quantas evangelizações existem?

Tantas serão as evangelizações quantas forem as pessoas e serem evangelizadas. Cada pessoa é uma missão. Onde esta uma pessoa, ali esta nossa missão e nossa vocação.

A atividade de um religioso que não anuncia  Jesus Cristo de modo explicito resulta inútil do ponto de vista da fé. Não há verdadeira evangelização se não proclamarem, de maneira expressa, o nome, o ensinamento, a vida, as promessas, o Reino e o mistério de Jesus (EN22). Seriam mutilados uma vida religiosa e um cristianismo que não fizessem referencia explicita ao único Salvador.

Só a missão dá existência e consistência a Vida Religiosa. Qualquer tarefa só tem sentido, só tem razão de ser, na exata medida em que se cumpre a Missão. A VR é missionária ou não é VR.

O consumo não basta à pessoa. O ritmo da maquina não preenche o mundo da vida. Urge, para cada pessoa encontrar o caminho da fé. Fé significa sempre decisão, diante de Deus  e de seu chamado, que se deve tomar numa atitude de distanciamento crítico com respeito ao mundo, à opinião comum, ao comportamento do ambiente social. Fé, livre escolha pessoal e não imposto por osmose de contexto.

PROCESSO – CAMINHAR SEM DATA PARA CHEGAR.

Atitude dialogal é o sentido e o método de inculturação. Esforço crescente de crescer na verdade. Capacidade de admiração do outro e de sua cultura.

Processo de inculturação – GLOBAL, DIFICIL, LENTO E CONTINUADO.

CULTURA : É um estilo de vida de um povo em sua complexidade exterior e em sua unidade interior. Toda ação da pessoa sobre a natureza é cultura. Conjunto subjacente de sentidos, valores e padrões, que norteiam a pratica social e configuram o mundo simbólico.

Toda cultura é original. Toda cultura é comunicável. Toda cultura é aberta ao encontro de outras culturas. O evangelho não esta vinculado a nenhuma cultura nem é patrimônio de cultura alguma. O cristianismo é metacultural. Está além e acima da cultura. Mas o evangelho não é independente da cultura nem sobrevive sem a cultura. Não existe evangelho culturalmente desencarnado.

DECODIFICAR A CULTURA E RECODIFICAR A MENSAGEM CRISTÃ.

Decodificar a cultura para não a falsificar e para recodificar nela a mensagem cristã, tornando-a plenamente inteligível para não a atraiçoar.

OS VALORES DA CULTURA SÃO UMA PREPARAÇÃO PROVIDENCIAL AO EVANGELHO

Não se pode pensar que tudo que é novo é bom ou melhor. Novidade sempre assusta e inquieta. Desperta temores. Pode ser sentida como ameaça mais do que esperança e promessa porque provoca insegurança. Mas esta novidade não violenta a cultura. Não a desfigura. É capaz de viabilizar um intercâmbio admirável, uma simbiose profunda.

A evangelização pretende levar a cultura a sua otimização. Humaniza seus sistemas e suas estruturas. Afinal não há nada verdadeiramente humano que não ressoe no coração do cristão. (GS1) O evangelho é a plenificação do que há de humano numa cultura. Ele não exige sacrifícios redutores do autenticamente humano na cultura.

Evangelização é um processo libertador da cultura. Visa ajudar a pessoa a ser mais plenamente humana. Por isso corrige e purifica o que está errado. Completa o que é falho.

Uma inculturação séria leva a igreja e a congregação cada vez mais uma e mais plural e pluriforme, também.  Esta pluralidade exige maior maturidade, maior capacidade de diálogo, maior respeito e amor. Revela, também, maior fecundidade.

O evangelho só é plenamente acolhido, quando vivido, revestido e expresso nas formas de uma cultura. Não se pode afirmar que alguma cultura é excluída da evangelização sem esvaziar o potencial salvífico do mistério de Jesus Cristo.

Inculturação – Encanação do anúncio e da vida cristã num concreto espaço cultural; experiência vital e original do evangelho nas atitudes e manifestações próprias de uma cultura; assimilação, reformulação teórica e re-expressão pratica, da fé em linguagem, símbolos, categorias e teorizações indizivelmente novas e peculiares.

NULLA DIES SINE LINEA – “NENHUM DIA SEM ALGUMA LINHA” nenhum dia sem traçar uma linha, sem fazer um traço. Em todo dia algum retoque em vista do melhor.